Primeiro a tua mão sobre o meu seio. Depois o pé – o meu – sobre o teu pé. Logo o roçar ardente do joelho E o ventre mais à frente na maré.
É a onda do ombro que se instala. É a linha do dorso que se inscreve. A mão agora impõe, já não embala Mas o beijo é carícia, de tão leve.
O corpo roda: quer mais pele, mais quente. A boca exige: quer mais sal, mais morno. Já não há gesto que se não invente Ímpeto que não ache um abandono.
Então já a maré subiu de vez. É todo o mar que inunda a nossa cama. Afogados de amor e de nudez Somos a maré alta de quem ama.
Por fim o sono calmo, que não é Senão ternura, intimidade, enleio: O meu pé descansando no teu pé, A tua mão dormindo no meu seio.
(Poema: Primeiro, de Rosa Lobato de Faria) (Quadro: Nebluma by Eduardo Rivero) |
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